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BERENICE CONTRA O
MANÍACO JANELOSO
ANÁLISE
Por Laura Sandroni
Fundadora e à época deste artigo
Diretora-Executiva da Fundação Nacional do Livro
Infantil e Juvenil.
Publicado no jornal O Globo do Rio de
Janeiro em 25 de janeiro de 1991.
O Gordo, Berenice,
Hugo Ciência, Godofredo e seus colegas, além do
mordomo Abreu, do frade João e da professora
Jandira, personagens criados pela imaginação de
João Carlos Marinho, formam a turma do Gordo,
grupo só comparável, na literatura brasileira,
aos famosos integrantes do Sítio do Pica-pau
Amarelo. Tendo-os como núcleo motivador da ação,
o recém-publicado Berenice contra o maníaco
janeloso é o sexto título deste autor que a
partir do sucesso de O gênio do crime
conquistou a admiração dos jovens e da crítica.
Além do grupo de personagens
permanentes em todas as aventuras, outras
semelhanças podem ser detectadas entre Lobato e
Marinho, um estudioso assumido da obra do
primeiro. O ponto de vista dos jovens, por
exemplo expresso não apenas através da
linguagem-coloquial com o emprego de gírias
–
mas também através das atitudes, das piadas, das
preocupações que o autor absorve e recria em
seus textos. Eles são realmente os
protagonistas, sem necessidades de lições.
A ironia, a graça, a
crítica são marcas registradas de João Carlos
Marinho. Seus livros são sátiras aos tempos de
violência que atravessamos. Já que os jovens
vivem imersos nesse clima angustiante, o jeito é
exagerar, ampliando-o ao extremo, de forma a
provocar o riso e, através dele, a reflexão.
Seus "bandidos" são caricaturas, os crimes são
sanguinolentos, lembrando desenhos animados tipo
Tom & Jerry ou os enredos sem pé nem cabeça das
histórias em quadrinhos.
O ambiente retratado
é o da classe média alta paulista: o Gordo, um
garoto abastado que tem acesso a todas as
benesses do segmento social a que pertence, é
também boa gente, muito vivo e capaz de repartir
com seus colegas de classe menos afortunados não
apenas os skates, a piscina e os vídeo games mas
também as aventuras mirabolantes em que se mete.
Em Berenice
contra o maníaco janeloso, João Carlos
Marinho mais uma vez satiriza uma situação de
horror: há um maníaco em São Paulo que sobe em
telhados vizinhos a escolas para, com seu fuzil,
matar estudantes e professores. A turma do Gordo
resolve agir, antes que um dos colegas da quinta
série seja a próxima vítima.
O estilo vivo, ágil
e direto, em capítulos curtos que lembram cortes
cinematográficos, aliado à trama policial cheia
de surpresas, mostra que João Carlos Marinho
continua afiadíssimo, dando-nos livros
premonitórios como Sangue Fresco (de
1982), merecidamente considerada sua melhor obra
e ganhadora de todos os prêmios do País.
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