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O GÊNIO DO CRIME
João Carlos Marinho. Il. Maurício Negro. 51ª
edição. São Paulo, Global Editora, 2000. 128p.
(14 x 21 - 130gr.1x1 cor)
* 1ª edição: 1969.
* Programa Nacional Salas de Leitura - FAE
* Ciranda de Livros
PARECER 1
O Gênio do
Crime
inaugurou em 1969 as aventuras da Turma do
Gordo, dando início a uma série de histórias de
aventura, mistério e suspense, salpicadas com
boa dose de humor.
Com todos os
ingredientes das histórias policiais: uma
intriga instigante, a presença de um enigma a
desvendar, detetives , suspeitos , testemunhas e
um enredo bem engendrado, a obra foi muito bem
recebida pela crítica e pelos leitores na época
da publicação e continua até hoje fazendo
sucesso, já na 48a edição.
O tema, a
falsificação de figurinhas por uma fábrica
clandestina, move o universo das personagens, um
grupo de amigos , na tentativa de conquistar o
prêmio (um jogo de camisas de um time de
futebol oferecido àqueles que completassem o
álbum) , vão reclamar seus direitos na fábrica e
acabam tornando-se amigos do fabricante das
figurinhas, que quase vai à falência por causa
do derrame de figurinhas falsas de uma fábrica
clandestina.
Conquistada a
simpatia do Seu Tomé, dono da fábrica, e do Mr,
detetive inglês invicto, contratado para
descobrir os falsários, os meninos ganham a
simpatia do especialista e passam a agir como
auxiliares do detetive.
Vigiar cambistas,
seguir pistas, arriscar-se em manobras perigosas
dão à intriga policial o sabor da aventura,
seduzem e enredam o pequeno leitor que com os
meninos se identifica e vive intensamente até o
desvendamento do enigma.
O texto, numa
linguagem direta e acessível ao leitor, é
temperado com pitadas de humor bem dosado,
principalmente nos encontros da turma com o
Mister.
O Gênio do Crime
tornou-se uma clássico das histórias de detetive
na literatura infantil brasileira, inaugurando
uma série de histórias do gênero escritas pelo
autor.
Travestidas de
Sherlock Holmes e utilizando o raciocínio
dedutivo, são as crianças que conseguem
desvendar o enigma da fábrica clandestina de
figurinhas, uma oportunidade de demonstrar a
inteligência, a sagacidade, o senso de
responsabilidade que elas possuem, mas nem
sempre são mostrados nas páginas da literatura
infanto-juvenil. O autor já teve outros livros
premiados, abraçou outros temas, mas foi este
tipo de enredo que o consagrou.
As ilustrações em
preto e branco não são imprescindíveis dada a
força da trama, mas por se tratar de uma obra
cujo suposto público alvo é formado por
adolescentes, servem de pausa para respiração e
de descanso ao leitor, totalmente envolvido pelo
texto. O formato e o projeto gráfico são
compatíveis com esse tipo de obra já que estão
voltados para um leitor mais experiente.
Rosa Cuba Riche
PARECER 2
O romance policial
O
Gênio do Crime destaca-se tanto na carreira
literária de seu autor, João Carlos Marinho,
quanto na História da Literatura Juvenil
Brasileira. Introduzindo inovações importantes
na forma e no conteúdo da narrativa policial
para a infância, este livro revela o talento do
escritor João Carlos Marinho consagrado pelo
sucesso imediato dessa obra-prima que marcou sua
estréia no gênero, em 1969.
Os paradigmas
tradicionais da história policial são
dessacralizados com vistas a uma nova
representação crítica dos elementos
caracterizadores dessa literatura de suspense. A
própria natureza do crime que será investigado
na trama narrativa e os personagens detetives
encarregados da ação criminosa, em O Gênio do
Crime, já promovem uma quebra nos clichês
policiais da série literária do passado.
O Gênio do Crime de
uma fábrica clandestina de figurinhas será
desvendado por um grupo de crianças, lideradas
pela inteligência do menino Bolachão, o Gordo
protagonista da história. Evidenciamos, de
imediato, uma situação imprópria ao universo de
violência do crime organizado que é a
participação de crianças, oriundas da classe
média paulistana, na perigosa ação de descoberta
de um crime. A ideologia da seriedade, que
envolve o poder do mundo adulto, é desmontada de
forma irônica chegando até, em algumas
passagens, a um certo grau de surrealidade
criadora. Por exemplo, a presença do excêntrico
personagem Mister John Smith, o detetive escocês
invicto, com um currículo insuperável na área de
espionagens policiais, competindo com a
esperteza do Gordo e seus amigos na busca da
revelação do crime, acentua o caráter
parodístico da narrativa enfatizando o
tratamento cômico dado a um tema de procedência
séria.
O mérito do gordo,
porta-voz do universo infantil, frente à
genialidade do mentor do crime e, também, diante
do invencível detetive Mister John, elucida a
vitória da esperteza da criança em confronto com
a corrupção do mundo adulto. Tais evidências na
narrativa são, sutilmente, colocadas de forma a
denunciar o predomínio da violência nas grandes
cidades, a utilização de mirabolantes engenhos
tecnológicos na engenharia do crime e, também, a
fraude como um meio de vida comum na realidade
brasileira.
O leitor jovem é
quem sai ganhando ao ler O Gênio do Crime e se
identificar com os heróis da turma do Bolachão.
É uma leitura divertida que leva a uma reflexão
das graves falhas sociais na tentativa de se
reavaliar os mecanismos da vida em sociedade.
O escritor paulista
João Carlos Marinho é um nome de referência
qualificada na História da Literatura infantil e
juvenil contemporânea, talento confirmado pelos
diversos prêmios já alcançados na sua fecunda
trajetória literária.
É, sem dúvida, uma
obra inteligente e bem construída que, com
certeza, merece constar no acervo das
Bibliotecas escolares.
Fátima Miguez |