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Entrevista de João Carlos Marinho, concedida ao UOL, publicado em 15 de setembro de 2005.

   

http://criancas.uol.com.br/novidades/ult2313u147.jhtm

 


Leia a entrevista exclusiva:

UOL Crianças - O que você lia quando era criança?
João Carlos Marinho - Eu lia Monteiro Lobato e histórias em quadrinhos. As HQs eram diferentes, não tinham essa preocupação exagerada de não mostrar a violência para as crianças. Hoje em dia as crianças vêem a violência em todo lugar, menos no que é feito para elas. Já mudaram até a letra de "Atirei o Pau no Gato"!
Acho isso ruim. Você pode evitar a exposição exagerada ou maldosa à violência, mas não mascará-la.
Meus livros têm violência porque são aventuras e numa aventura os heróis correm perigo. Se o bandido não é perigoso, qual é a graça de enfrentá-lo?

UOL Crianças - Como foi que você começou a escrever?
João Carlos Marinho - Quando era criança eu fazia minhas "coisinhas". Mas quando cheguei ao colegial achei que seria incapaz de ser escritor. Então resolvi fazer o que todo mundo que não sabia o que fazer da vida na época ia fazer: estudar advocacia. Fui advogado por 26 anos. Quando meu primeiro filho nasceu, coloquei um assistente no escritório e tive tempo para me dedicar à literatura. E aí veio a idéia de "O Gênio do Crime". Afinal, quando era criança eu era apaixonado por futebol e por figurinhas. Naquele tempo o futebol era mais popular do que hoje, não precisava dividir a atenção das pessoas com outros esportes... A gente só pensava em futebol, o tempo todo.

UOL Crianças - Quase todas as aventuras do Gordo e de sua turma têm crimes na história. Isso tem a ver com o fato de você ser advogado?
João Carlos Marinho - Não. Meus livros são comédias. Eu escrevo para fazer as pessoas rir e se divertir. Mas as histórias precisam de enredos e meus enredos sempre são aventuras.

UOL Crianças - Em 1973, foi feito o filme "O Detetive Bolacha Contra O Gênio do Crime", baseado no livro. Você participou do filme?
João Carlos Marinho - Não, eu só dei uma "sapeada". Acho que o autor não deve se envolver com essas coisas. Só dava opiniões quando me pediam. Mas não eram opiniões que tinham a obrigação de serem seguidas.

UOL Crianças - Essa foi a única vez que o Gordo e sua turma saíram dos livros. Existem outros projetos neste sentido?
João Carlos Marinho - Acho que isso não depende de mim. Se alguém me procurar e topar minhas condições... Mas o meu trabalho é com os livros mesmo.

UOL Crianças - "Sangue Fresco", o terceiro livro da série, se passa na Amazônia. Você chegou a ir até lá?
João Carlos Marinho - Eu estive na Amazônia, na casa de um conhecido. Visitei Belém e Manaus. Mas toda a aventura da turma do Gordo na floresta eu devo ao José Genoino (ex-presidente do PT, partido do presidente Lula). Eu queria que a turma fugisse do acampamento de uma maneira original. Eles podiam seqüestrar um avião ou mandar uma mensagem pelo rádio, mas seria muito mais legal se ficassem perdidos na floresta, sem nada. Para isso, precisava de alguém que conhecesse bem a selva. Aí o meu cunhado indicou o Genoino, que na época era professor em São Paulo. Ele era o guia dos guerrilheiros na mata durante a Guerrilha do Araguaia (grupo armado que lutou contra a ditadura militar no Brasil). Ele foi muito legal, nem me conhecia e mesmo assim ficou três horas me explicando como era a selva. Foi ele que me ensinou sobre o colchão de folhas que cobre o chão da floresta, os igarapés que se formam e passam por debaixo destas folhas antes de chegar aos rios, e daí veio toda a idéia da fuga do Gordo. Só exagerei nas árvores, que coloquei no livro com 60 metros de altura - elas têm em média 30 metros.

UOL Crianças - Por que você acha que "O Gênio do Crime" fez tanto sucesso?
João Carlos Marinho - No começo eu pensei que seria apenas uma mania passageira. Mas o livro está aí há 36 anos e continua sendo lido. Eu acho que simplesmente fiz um livro bom. Várias pessoas me perguntam se mudei alguma coisa na história, porque se identificam com o livro muito tempo depois dele ter sido escrito. Mas eu não alterei uma linha!

UOL Crianças - Você acha que hoje o livro perdeu espaço para os jogos e vídeos eletrônicos?
João Carlos Marinho - Com certeza. O livro não vai morrer, mas enfrenta uma concorrência muito grande. Mas isso não é uma catástrofe. Os livros continuam a existir, só que dividem seu espaço com outras atrações.

UOL Crianças - Qual é seu livro preferido da turma do Gordo?
João Carlos Marinho - Eu estou gostando muito do último que escrevi, "Assassinato na Literatura Infantil". É uma história um pouco como as outras: uma aventura engraçada, bem movimentada, há um assassinato... Mas é claro que cada livro é um livro. Este promete ser bom.

UOL Crianças - Você conhece os livros do Harry Potter?
João Carlos Marinho - Eu nunca li Harry Potter. As coisas chegam até a gente de várias maneiras. O Monteiro Lobato, por exemplo, chegou aos meus pais, que compraram os livros, que eu li. Eu sei que Harry Potter é um sucesso, mas ninguém nunca disse nada que me fizesse pensar "nossa, esse livro eu preciso ler".

UOL Crianças - Qual o último livro infantil que você leu?
João Carlos Marinho - Foi "A Ilíada" adaptada para crianças por Ruth Rocha. Eu achei muito bom. É difícil fazer um livro assim.

UOL Crianças - Que autores você recomenda para as crianças?
João Carlos Marinho - Para as mais crescidas, Monteiro Lobato. Para as mais novas, os contos de Hans Christian Andersen e dos irmãos Grimm. Tem também a Ruth Rocha, a Tatiana Belinky... E eu vejo muitas coisas legais nas livrarias.

UOL Crianças - Algum dia a turma do Gordo vai envelhecer?
João Carlos Marinho - Isso não me passa pela cabeça. Acho que o Monteiro Lobato nunca pensou no Pedrinho como advogado (risos).

Leia também:

·  Saiba mais sobre "Assassinato na Literatura Infantil"

·  Conheça todos os livros da turma do Gordo

 

 

15/09/2005

Saiba mais sobre "Assassinato na Literatura Infantil"

Da Redação

Como as outras 11 aventuras do Gordo, "Assassinato na Literatura Infantil", livro mais recente de João Carlos Marinho, promete muita ação, aventura, suspense e diversão.

A história se passa durante um concurso literário. São cinco finalistas e seis jurados: os cinco primeiros integrantes do júri votam cada qual em um finalista diferente. O desempate seria decidido pelo último jurado, o filósofo Rolando Verdilucci, que no exato momento em que ia dar seu voto é assassinado com um tiro.

Na hora do crime acontece também uma explosão que enche o local de fumaça e impede os presentes de saber quem é o autor do assassinato. Só Berenice consegue ver uma coisa que pode servir de pista para levar até o criminoso. E é assim que Gordo e sua turma se metem em mais uma divertida aventura policial.

Em São Paulo, o livro será lançado no dia 24 de setembro, na Livraria da Vila, a partir das 11h. A livraria fica na rua Fradique Coutinho, 915, na Vila Madalena. Mais informações sobre o evento podem ser conseguidas pelo telefone (11) 3814-5811

ASSASSINATO NA LITERATURA INFANTIL
Escrito por João Carlos Marinho
Ilustrado por Camila Mesquita
Editora Global
128 páginas
R$ 21







 

 

 

 

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Conheça todos os livros da turma do Gordo

Da Redação

Um garoto gordo mais esperto do que o Gênio do Crime namora uma morena bonitinha, chamada Berenice, que escreve o melhor livro do mundo. Junto com sua turma, eles são seqüestrados e vão parar num campo de concentração na Amazônia, viajam para outro planeta e fazem de tudo para vencer o campeonato mirim de futebol.

Criados por João Carlos Marinho, Bolachão, Berenice, Edmundo, Pancho e os outros integrantes da turma do Gordo viveram 12 aventuras incríveis em 36 anos. Fique por dentro de cada uma delas:

 


O Gênio do Crime - O livro de estréia da turma do Gordo foi escrito há 36 anos. A história sobre falsificação de figurinhas chegou às livrarias em 1969. Tudo começa quando Seu Tomé, dono de uma fábrica de figurinhas de futebol, decide fazer uma promoção. Ele imprime figurinhas fáceis e figurinhas difíceis para um novo álbum - as difíceis são fabricadas em menor quantidade e quem enche o álbum ganha prêmios. O problema é que uma fábrica clandestina começa a falsificar as figurinhas difíceis, todo mundo começa a completar os álbuns e seu Tomé não tem tantos prêmios para dar. As crianças se revoltam e decidem quebrar a fábrica, mas quatro delas - Edmundo, Pituca, Bolachão (o Gordo) e Berenice - começam a investigar a história. A quadrilha da fábrica clandestina é chefiada por um gênio do crime, mas felizmente ele não está à altura do espertíssimo Gordo, que bola o incrível sistema de seguir pelo avesso para resolver o caso.


O Caneco de Prata - Segundo a editora Global, este é o primeiro livro da literatura brasileira infantil a ter como tema o futebol. Publicado em 1971, "O Caneco de Prata" é sobre um campeonato de futebol mirim. A turma do Gordo resolve ganhar a competição, mas para isso precisa enfrentar a escola do professor Giovanni, um italiano fanático que está disposto a qualquer coisa para vencer - até jogar bomba bacteriológica na concentração. Também fazem parte desta história maluca Filomena (mulher de Giovanni), um marciano, juízes, psicanalistas, advogados, um leopardo, o Esquadrão da Morte e um marciano.


Sangue Fresco - Muita gente diz que João Carlos Marinho atingiu seu ápice com "Sangue Fresco", publicado em 1982. Esta aventura sombria é sobre a empresa americana Fresh Blood Corporations, que seqüestra crianças bem nutridas das escolas particulares de São Paulo e as leva para um campo de concentração na Amazônia, onde seu sangue é retirado e exportado. Para azar dos bandidos, a turma do Gordo também é seqüestrada. Nesta aventura na selva uma sucuri se apaixona pelo Bolachão e faz de tudo para comê-lo. Enquanto isso, as crianças tentam fugir com bandidos da Fresh Blood nos seus calcanhares. "Sangue Fresco" ganhou o Prêmio Jabuti e o Grande Prêmio da Crítica (APCA).


O Livro da Berenice - Berenice decide escrever o melhor livro do mundo. Para isso ela leva sua máquina de escrever ao lugar ideal: o jardim da casa do Gordo. À beira da piscina, comendo quitutes oferecidos pelo mordomo Abreu e com todos xeretando e dando palpite, o livro vai ficando pronto. Até o frade João decide opinar. O livro fica tão bom que um bandido grego decide copiá-lo e lançá-lo em seu nome. Ele cria um sistema que copia o livro enquanto Berenice o escreve. Além de enfrentar este vilão, a turma e Berenice precisam publicar a obra e lidar com a glória - afinal, é o melhor livro do mundo! Esta aventura foi publicada em 1984.


Berenice Detetive - Nesta história que chegou às livrarias em 1987, João Carlos Marinho seguiu todas as regras dos livros policiais clássicos. "Berenice Detetive" é um livro realista que descreve tudo com detalhes e exatidão. A história é sobre uma escritora que vai fazer uma palestra em uma escola, come uma maçã envenenada e morre. O problema é que muitos estudantes deram maçã de presente para a convidada. Berenice e a turma do Gordo decidem desvendar este mistério no melhor estilo Sherlock Holmes.


Berenice Contra o Maníaco Janeloso - Este livro de 1990 traz inimigos difíceis para a turma do Gordo: um serial killer, a máfia da droga e policiais corruptos. Berenice ainda precisa enfrentar uma rival amorosa: uma ruiva que se aproxima demais do Gordo. A turma tenta resolver este mistério e descobre que o Cartel da Droga de Medellín está por trás do serial killer que aterroriza a cidade, corrompe a polícia e quer transformar os cidadãos em escravos obedientes.

 


Cascata de Cuspe - Na história publicada em 1992, o Gordo não pára de cuspir! Tudo começa quando um grupo de meninos rouba o Bolachão. Depois do assalto, ele entra em uma loja de artigos eletrônicos e sem querer escuta que o dono da loja contratou um grupo de extermínio para matar estes garotos que estão aterrorizando a vizinhança. É claro que Berenice convence o Gordo a contar sua história para a polícia. Mas aí os exterminadores decidem vingar-se do Bolachão, que não pára de cuspir!


O Conde Futreson - Este livro de 1994 é a realização de um desejo de João Carlos Marinho: escrever uma história sobre o conde Drácula. O autor curte o vampiro desde criança, por isso caprichou na história em que o conde enfrenta a turma do Gordo. Este livro é boa para quem gosta de suspense e de terror: a professora Jandira ganha um concurso para se casar com o conde Futreson, mas ele é bem diferente do que ela esperava. E aí toda a turma se envolve neste mistério.


O Disco - Esta é a primeira aventura espacial da turma. Nela, o Gordo e seus amigos vão passar as férias de julho na montanha, mas acabam embarcando em uma viagem longuíssima no espaço: eles ficam um ano e 11 dias longe da Terra. Este livro está fora de catálogo, mas será relançado pela editora Global.


A Catástrofe do Planeta Ebulidor - Esta aventura espacial foi lançada em 1998. O Gordo e sua turma são convidados para o casamento do rei do Planeta Ebulidor, o Zé-folhinha. O Bolachão leva todos para a festa no seu disco voador. Só que uma catástrofe assola o planeta: a briga entre os sevetrérios, seres altos de olhos saltados e pés de cavalo, e os ebulurianos, seres vegetais como o Zé-Folhinha.


 


O Gordo Contra os Pedófilos - O último livro publicado sobre a turma do Gordo saiu em 2001 e fala sobre pedofilia. Tudo começa com o seqüestro de Berenice. Outras meninas também começam a desaparecer, mas ninguém pede resgate. Até que um delegado de São Paulo recebe uma fita da polícia da Suíça e fica sabendo que as garotas estão nas mãos de bandidos do ramo da pedofilia internacional. Gordo e sua turma não vão deixar estes bandidos saírem ilesos desta história...


Assassinato na Literatura Infantil -  novo livro de João Carlos Marinho. A história se passa durante um concurso literário. São cinco finalistas e seis jurados: os cinco primeiros integrantes do júri votam cada qual em um finalista diferente. O desempate seria decidido pelo último jurado, o filósofo Rolando Verdilucci, que no exato momento em que ia dar seu voto é assassinado com um tiro.

 

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