Diário de Raquel, de Marcos Rey

Quem escreve em diário apenas fala consigo mesmo ou de alguma forma quer ser lido (ainda que o esconda)? Quanta curiosidade provocam os diários! É como ler pensamentos. O escritor Marcos Rey captou essa natureza confessional do diário de uma garota e fez literatura dela.

É característica de Marcos Rey o ambiente de filme, de bom filme, em cada um de seus livros. Não à toa ele foi também um disputado roteirista.

Em Diário de Raquel (Global Editora), os personagens principais são mulheres: Raquel, jovem orfã que vive nas ruas de São Paulo – indicação sutil, quando outra personagem, a psicóloga Regina, se disfarça para as amigas e diz que vive no monumento do Ibirapuera. Regina é quem se dispõe a procurar Raquel, que fugiu de um centro público de recuperação de jovens envolvidos em crimes – Raquel é acusada de furto. Uma terceira personagem é tia Vera, pessoa que sobrevive pelas ruas, encontra o diário de Raquel e também vai atrás da menina, que foge de um homem que quer matá-la.

Diário precisa ser escrito todos os dias? Se precisa, babau, porque às vezes não dá. E não é sempre que acontecem coisas. Há dias em que a gente não vive, apenas espera, fica vendo as pessoas e os carros passarem. Quando chove, a gente apenas cuida de não se molhar. Se eu fosse pôr minha vida no papel, teria apenas três ou quatro páginas. Mas, mesmo acontecendo pouco, vou manter o diário. É um jeito de segurar as pernas do tempo. Descrevendo tudo, tim-tim por tim-tim, ele corre menos. Pode ser bobagem, mas é minha impressão.

                               (página 24)

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