Nova edição de "Lamarca – O Capitão da Guerrilha" chega em breve às livrarias

Ainda em época de ditadura, uma livraria na Bahia realizava o evento de lançamento de um livro que narra a vida e descreve os ideais de um político revolucionário, morto à sombra de uma árvore no sertão baiano em uma luta contra o movimento militar. Tratava-se da obra Lamarca – O Capitão da Guerrilha, dos jornalistas Emiliano José e Oldack de Miranda, que traça a trajetória deste conhecido guerrilheiro e que recebe uma nova edição no final deste ano.

A história do guerrilheiro é notória: filho de sapateiro, Carlos Lamarca sempre quis ser soldado, mas decepcionou-se ao entrar para o Exército, pois pensava que ali serviria o povo. “O povo é sempre reprimido. Esse Exército é podre e eu não aguento mais…”, desabafou Lamarca em 1966 à sua mulher, Maria Pavan. Simpatizante do movimento comunista desde a época de Academia Militar, Lamarca abandona o Exército levando “armas para a revolução” e torna-se um dos líderes da oposição à ditadura. O livro, no entanto, “mostra um Lamarca de quem poucos têm notícia”, escreve Raimundo Rodrigues Pereira no prefácio da obra, prometendo ao leitor um relato que vai além dos livros de História. Em Lamarca – O Capitão da Guerrilha, conhecemos um pai amoroso, homem sensível, apaixonado e, sobretudo, preocupado com o futuro de seu país, que tem como maior legado a sua coragem, na opinião do autor Emiliano José. “Lamarca tinha a coragem como atributo essencial de sua vida. Tinha um sentido de missão, servir ao seu povo, e morrer por ele se fosse o caso, como acabou acontecendo. Não era uma coragem tresloucada, aventureira. Era a coragem fundada em ideais”, afirma o autor.

Lançado em 1980, o livro permaneceu no topo de vendas por mais de um ano. O sucesso, segundo Emiliano, se deu pois “havia uma sede por conhecer a ditadura e conhecer um herói do povo brasileiro”. Naquela época, dado o contexto histórico, muitos liam o livro como se fosse proibido. “Com o fim da ditadura, penso que a leitura é outra, mesmo que ainda impactante. Não é mais o livro perigoso”, afirma o autor. O bom desempenho e a qualidade do livro originaram o filme Lamarca, dirigido por Sérgio Rezende, com Paulo Betti no papel do guerrilheiro. O longa foi considerado a melhor estreia nacional de 1994.

Nesta nova edição, que chega em breve às livrarias, a trajetória de Lamarca é contada com maior riqueza de detalhes. Dentre as novidades, a fase em que se escondia em “aparelhos” aparece de modo mais cristalino, seu romance com Iara é contado de forma mais profunda, mas “deixemos que o leitor descubra [as novidades]. Podemos dizer ser outro livro, mas o mesmo”, conclui Emiliano José.

 

Conheça o filme Lamarca, dirigido por Sérgio Rezende: