Daliana Cascudo fala sobre a obra Tradição, Ciência do Povo

Tradição, Ciência do Povo é uma obra singular, dentro da extensa bibliografia cascudiana, por ser inteiramente calcada na tradição oral que é transmitida de pai para filho, guardando toda a sabedoria popular.

Na obra Tradição, Ciência do Povo, o etnógrafo, etnólogo, antropólogo, historiador, romancista e poeta Luís da Câmara Cascudo faz com que o leitor conheça a meteorologia tradicional do sertão, a botânica supersticiosa no Brasil, as chuvas e os ventos, os costumes alusivos aos mortos, o folclore do mar, os quatro elementos e tenha um ponto de partida para o estudo da superstição pela ótica da tradição do povo. “Em suma, o leitor tomará contato com todas as tradições do povo, sabedorias perdidas no tempo e que mantém sua veracidade”, comenta Daliana Cascudo, neta de Luís da Câmara Cascudo.

Daliana explica que um dos aspectos mais marcantes da obra é o fato de ser quase inteiramente baseada na tradição oral do povo e não em fontes bibliográficas impressas. “Isto é um conceito inovador e revela que, para Cascudo, não existe apenas uma literatura oficial e impressa, mas uma literatura oral que tem igual valor como fonte de informação”, relata. “Cascudo se dizia um ‘menino sertanejo’ e é esta vivência do Sertão que possibilita a ele ter acesso a este rico material de pesquisa onde o povo fala e narra suas mais autênticas tradições e costumes.”

Para Cascudo, “a memória é a imaginação do povo, mantida e comunicável pela tradição, movimentando as culturas convergidas para o uso.” Neste conceito, ele detalha exatamente o que representa esta obra: “a sabedoria popular é preservada através da memória e transmite, através do tempo, hábitos, costumes e crenças que são de uso comum”.

Com esta frase, Cascudo atesta, mais uma vez, a sua credibilidade na tradição e no costume como fonte primordial de informação. Daliana explica que é o costume, o usual, o comum, que, na sua visão, é quem dá credibilidade, através do uso, ao que se determina de forma oficial através da legislação. “Antes da lei existiu o costume e ele determina a verdadeira aplicabilidade de uma legislação. É como se ele atestasse que o costume expressa uma lei e a legitima pelo seu uso”, finaliza.


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