As cocadas de Cora Coralina

As cocadas (Global Editora) é um livro ilustrado por Alê Abreu que dá ainda mais vida ao pulsante poema de Cora Coralina. Tons de laranja esquentam a leitura e os desenhos muito além de repetir o que já está no texto, ampliam a leitura, ora pelos elementos de uma cena, ora pelas expressões da narradora, que salta como personagem na obra. Poesia em palavra, cor e traço.

 

Eu devia ter nesse tempo dez anos.
Era menina prestimosa e trabalhadeira
à moda do tempo.

Vi quando foi batida e estendida na tábua,
vi quando foi cortada em losangos.

Saiu uma cocada morena, de ponto brando,
atravessada de paus de canela cheirosa.

Minha prima me deu duas cocadas
e guardou tudo mais numa terrina
grande, funda e de tampa pesada.

Botou no alto da prateleira.

Até hoje, quando me lembro disso,
sinto dentro de mim uma revolta – má e dolorida –
de não ter enfrentado decidida, resoluta,
malcriada e cínica, aqueles adultos negligentes

Cora Coralina nasceu em Goiás, em 1889. Publicou seu primeiro livro quando tinha 76 anos, embora escrevesse desde moça. Com um estilo pessoal, foi poeta e uma grande contadora de histórias e coisas de sua terra. Seus livros de poesia e prosa foram publicados alguns anos antes de sua morte, em 1985. O cotidiano, os causos, a velha Goiás, as inquietações humanas são temas constantes em sua obra.

Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Cora Coralina é a pessoa mais importante de Goiás. Mais que o governador, as excelências, os homens ricos e influentes do estado… Cora Coralina, uma admirável brasileira.”

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