Encantamento completo e infinito de Machado

Por / 2 meses atrás / Nova Aguilar / 1 Comentário

Muitas vezes, em conversa informal ou mesmo no ensino de literatura, não se usa um recurso muito poderoso que a própria literatura revela: em vez de dizer alguma coisa sobre a importância de uma obra, mostre. Então, em vez de dizer que Machado de Assis é o escritor mais importante da literatura brasileira, melhor é jogar luz sobre seus textos, ler. E não são poucos os especialistas que recomendam um de seus mais de duzentos contos para demonstrar esse poder, que reúne habilidade na narrativa com profunda ironia, crítica social, observação da humanidade, psicologia, bom humor, entre várias qualidades que o tempo não engole. E olha que faz tempo! – o homem morreu no início do século XX, mas é essencialmente um sujeito do século XIX e ainda espantosamente atual.

Nesta entrevista, uma das grandes especialistas hoje em dia na obra de Machado, a editora Ana Lima Cecilio, recomenda sem medo que estudantes tomem contato primeiro com os melhores contos de Machado, antes por exemplo dos romances como Dom Casmurro e Memórias póstumas de Brás Cubas. Ela fez parte do time que cuidou da recente edição da Obra Completa de Machado de Assis, da Nova Aguilar. Ana Lima conta detalhes do processo, que é ao mesmo tempo revelador da importância do trabalho de edição de livros, com as decisões que teve de tomar sobre a organização dos contos, as atualizações ortográficas ou manutenções de grafias originais.

Ana Lima Cecilio traz da adolescência o encantamento por Machado de Assis, que foi doloroso de certa forma. Ela dá dicas importantes aqui para quem deseja estimular o encantamento da leitura em outras pessoas que ainda não mergulharam na obra do grande escritor do Brasil.

Aqui, a leitura do trecho inicial do conto Noite de almirante, que faz parte do livro Histórias sem data, de 1884, e havia sido publicado em fevereiro do mesmo ano no jornal Gazeta de Notícias.

Comentário

  • Marcia22. fev, 2017

    É mesmo… peguei o “Memórias póstumas de…” e desisti. Mas, um amigo me passou “Helena” e adorei. Agora estou encarando “Dom Casmurro” e estouncurtindo.

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