Melhores Poemas de Manuel Bandeira no vestibular da UFSC

Vai estudar na Federal de Santa Catarina? Que sorte! Livros muito bons são selecionados para o vestibular de lá, que mistura bem a tradição com a literatura brasileira contemporânea. Na prova de 2018, entre oito autores, quatro estão em plena atividade literária, como Maria Valéria Rezende, Conceição Evaristo, Carlos Henrique Schroeder e Luis Fernando Verissimo. Os demais foram José de Alencar, Nelson Rodrigues, Salim Miguel e Manuel Bandeira. O livro de Bandeira indicado para leitura dos candidatos é a edição Melhores Poemas da Global Editora, organizada por Francisco de Assis Barbosa, um dos mais respeitados estudiosos da literatura brasileira em todos os tempos.

Com o novo formato, da Global Pocket, tanto a fruição quanto o estudo foram facilitados. São 96 poemas, em 143 páginas, ainda com concisa biografia, bibliografia e o texto de apresentação de Francisco de Assis Barbosa, que ajuda o leitor a ter a dimensão da relevância de Bandeira para a literatura do país.

E não é nada modesta a obra de Manuel Bandeira… Sim, ele próprio se considerava um poeta menor. Não dá para ser perfeito: nisso errou feio. É um dos gigantes. Se ele próprio se considerava “menor” é porque tratou muito do cotidiano, absorveu o modo de falar do brasileiro, desde seu Recife natal até o Rio de Janeiro, onde seguiu a vida adulta. E escreveu poemas fundamentais sem rebuscamento desnecessário, poesia que ao mesmo tempo é acessível e desafiadora, já que carregada de camadas de significação e rico trabalho de linguagem.

Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem-comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e
manifestações de apreço ao sr. diretor
Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo
de um vocábulo.
Abaixo os puristas

Esse trecho inicial de “Poética” é bom exemplo de como um poeta que começou a publicar na primeira década do século XX, influenciado por autores do romantismo e do simbolismo, mestre nos recursos formais da poesia, como os versos metrificados, o soneto, tornou-se um dos mais relevantes representantes do modernismo, a partir da década de 1920. É com versos livres (sem os limites da métrica) que escreve, no poema “Evocação do Recife”, suas memórias de infância e juventude:

A vida não me chegava pelos jornais nem pelos livros
Vinha da boca do povo na língua errada do povo
Língua certa do povo
Porque ele é que fala gostoso o português do Brasil

Melhores Poemas Manuel Bandeira é livro de leitura e releitura sem data de validade. Sortudos vestibulandos da UFSC, que juntam o útil ao agradável nesse importante passo em suas vidas.

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