História da Alimentação de Cascudo faz 50 anos

Há meio século, um homem que na vida toda poucas vezes saiu da capital do Rio Grande do Norte enfim publicava um livrão que continha todo conhecimento possível sobre os costumes alimentares do brasileiro – tão diverso. Luís da Câmara Cascudo e seu História da alimentação no Brasil (Global Editora) até hoje (ou mais do que nunca) guiam os estudos sobre o que e como se come no país.

A efeméride vem sendo iluminada com reportagens, e até uma nova série de televisão está sendo produzida com base na obra. A seguir, alguns trechos do livro para degustação:

“Toda existência humana decorre do binômio Estômago e Sexo. A Fome e o Amor governam o mundo, afirmava Schiller.”

Na página 73, Cascudo reproduz os relatos de Pero Vaz de Caminha dos primeiros contatos dos indígenas com os portugueses, na carta de 1º de maio de 1500 (era uma sexta-feira). O capitão Pedro Álvares Cabral comia com outros oficiais e ofereceram algumas coisas a dois indígenas: “Deram-lhes ali de comer; pão e peixe cozido, confeito, fartéis, mel e figos passados. Não quiseram comer quase nada daquilo; se alguma coisa provaram, logo a lançavam fora”.

Cascudo relata os costumes alimentares indígenas, muito ligados à mandioca e às frutas locais. Também detalha as espécies de plantas frutíferas que foram trazidas pelos portugueses de outras colônias e aqui se espalharam, nas terras e no gosto, os costumes trazidos ou adaptados pelos africanos feitos escravos e dos próprios europeus.

“O condimento incomparável para o brasileiro é a pimenta, a pimentinha, companheira sem rival, transformando o peixe cozido em obra-prima, ressaltando os valores sápidos de todas as iguarias, aceleradora digestiva, masculinizando o sabor” – os indígenas não usavam muitos condimentos para temperar peixes, por exemplo, mas a pimenta, segundo Cascudo, era um dos principais.

“A sopa, como nos é servida, é fórmula europeia. Os nossos amerabas e os negros africanos não a conheciam no século XVI. Tinham alimentos líquidos e semilíquidos mas nenhum deles podia comparar-se à sopa, inicial do jantar doméstico e abertura dos banquetes oficiais.”

Na página 624 do livro, há um capítulo dedicado às frutas. Inclusive com um dicionário de tipos, constando suas origens:

Banana – “Recebemos a banana da África e havia uma variedade nativa brasileira, de nome ‘pacova’, sendo elas posteriormente confundidas”.

Pacova – “‘Banana-da-terra’, excelente quando cozida ou assada. Travosa pelo tanino, crua. Brasileira de nascimento”.

Caju – “A mais popular das frutas brasileiras. Contavam os indígenas os anos pela floração dos cajueiros, guardando as castanhas”.

Goiaba – “Não é natural desta terra, mas foi trazida da América Setentrional e do Peru”.

Manga – “Nativa da Índia, todo sul e leste da Ásia, prestando-se a uma infinidade de iguarias, molhos, conservas, é de viva participação popular contemporânea”.

Maracujá – “Entre os indígenas tupis era comum ver-se a trepadeira nas vizinhanças das malocas. Passou abundantemente à África”.

Melancia – “Nativa e registrada em estado selvagem pela África Austral e Tropical, de onde veio para o Brasil no século XVI, sendo amplamente plantada e apreciada pelos indígenas como era pelos africanos”.

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