O índio na história do Brasil

O livro da antropóloga Berta Ribeiro começa assim: “Aos índios, protagonistas desta história”. E logo no primeiro capítulo, em que narra a chegada das naus e caravelas sob o comando de Pedro Álvares Cabral, revela que aqueles europeus chamaram de índios os habitantes da terra em que aportavam porque buscavam as Índias: “Cabral consultou seus homens mais experimentados, veteranos de viagens ao Oriente e nada souberam dizer. Evidentemente não eram negros. Indianos também não pareciam ser”.

Berta foi casada com Darcy Ribeiro, educador e etnólogo (para resumir muito tanta coisa que ele fez na vida). Dedicou-se aos estudos de povos indígenas. Nessa obra, ela buscou recontar a história do Brasil, considerando desta vez o ponto de vista de quem já habitava o território antes de sua tomada, não descoberta.

Trechos:

“Quando a frota de Cabral chegou à costa do Brasil, ainda encontrou grupos Tapuia que resistiam à pressão Tupi: os Guaianá, cujos descendentes seriam os Kaingang de São Paulo e do Paraná, os Goitacá do Rio de Janeiro e do Espírito Santo, que seriam os Puri, Coroado e Coropó do século XIX, os Aimoré (Botocudos) da Bahia e os Kariri do Nordeste, além de outros.”

“Dificuldades metodológicas e a precariedade de dados históricos impossibilitam uma uniformidade de opiniões quanto ao montante da população aborígene na época da conquista da América. A avaliação mais baixa dos chamados estudos clássicos é de 8 milhões e 400 mil índios e, a mais alta, de 40 a 50 milhões, para toda a América. Se aceitarmos essa última estimativa, verificaremos que, em quatro séculos, a população nativa americana foi reduzida a um oitavo do montante original. Estudos recentes, porém, mostram que o descenso foi muito mais drástico, devido principalmente à incidência de doenças antes desconhecidas (varíola, gripe, sarampo, tuberculose, sífilis etc.) e ao rigor da escravidão.”

“A superioridade numérica do índio em relação aos minguados contingentes que vinham nas caravelas era avassaladora. Assim, apesar de toda a sua potência guerreira e técnica, os colonialistas tiveram de aprender com eles a viver nos trópicos, a cultivar seus frutos, a comer suas raízes e paulatinamente a criar nichos que começaram a atuar sobre os índios em torno. A esse processo se chamou a tupinização do português no Brasil, por ser a etnia Tupi a prevalecente no litoral, à época da descoberta.”

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