Alberto Caeiro, mais precisamente

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Não tenho pressa: não a têm o sol e a lua.
Ninguém anda mais depressa do que as pernas que tem.
Se onde quero estar é longe, não estou lá num momento.

Alberto Caeiro

A poesia tende, mais do que os outros gêneros textuais, a conter significação em cada verso, palavra, ponto. Se é assim, sua edição se torna mais crítica – se falta um ponto previsto pelo autor, se um verso é omitido ou tem palavra trocada, a perda pode ser imensa. E essa dificuldade é extrema quando se trata de Fernando Pessoa e seus heterônimos. Sendo que só publicou ele mesmo, em vida, um livro (Mensagem), todos os outros foram feitos a partir do extenso e não muito claro material que deixou. Decifrar o que desejava o autor – e essas escolhas dizem muito a respeito da obra toda – é tarefa para estudiosos muito dedicados. Teresa Rita Lopes é uma dessas pessoas. Parte do trabalho da pesquisadora a Global Editora apresentou no Brasil com a edição de Livro(s) do desassossego e agora traz em Vida e obras de Alberto Caeiro.

“Durante largos anos, os leitores de Caeiro tiveram que se contentar com a edição da Ática, de Luiz de Montalvor, com data de 1946 – repleta de erros, feita sobretudo a partir dos textos dactilografados por Pessoa, levados assim mesmo para a tipografia, e anotados por ele e pelos tipógrafos. Os erros de leitura são frequentes e as omissões também, quando não conseguem ler a letra de Pessoa: assim foi eliminada a última quadra do poema XVI do “Guardador de Rebanhos”. É, mesmo assim, preferível, de longe, à Edição Crítica de Ivo Castro – e às que dela derivaram – que desfigura, reescrevendo-os, os versos pessoanos. Pessoa tem que ser genial para sobreviver aos tratos de polé a que os seus editores o têm sujeitado!”

O início do posfácio de Teresa Rita Lopes já evidencia o que aconteceu largamente desde pelo menos a metade do século passado: edições e mais edições creditadas a Fernando Pessoa, mas com erros e alterações significativas. O grande esforço dela é em levar aos leitores o mais próximo possível da vontade e das escolhas do próprio autor.

Imagens surpreendentes, manuscritos e outros textos

A nova edição da Global Editora traz três livros de Alberto Caeiro – O guardador de rebanhos, O pastor amoroso e Andaime – poemas inconjuntos –, preâmbulo e posfácio da organizadora (e que lançam poderosas luzes sobre a obra), textos de outros heterônimos de Pessoa sobre Caeiro, inclusive uma “entrevista” com ele, além de um apêndice com outros poemas.

Detalhe: Mapa Astral de Alberto Caeiro – Ariano nascido em 16 de abril de 1889, às 1:45 p.m., em Lisboa.

 

Chamam atenção na edição as imagens de manuscritos e até mesmo um mapa astral que Fernando Pessoa fez para Alberto Caeiro. Neste vídeo, Teresa Rita Lopes revela essa lado do poeta, de astrólogo.

Neste outro vídeo, Teresa Rita Lopes revela que “ainda há um Pessoa por conhecer”, sugerindo que há tantos escritos ainda a serem desvendados e que novidades devem surgir nos próximos anos.

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