Palmas para Gilberto Freyre – 15 de março

Gilberto Freyre nasceu em 15 de março de 1900. O Recife teve o privilégio de ser a terra natal desse que é um dos mais relevantes pensadores sociais do Brasil. Celebramos esse aniversário, celebrando sua obra, hoje publicada pela Global Editora.

“O negro no Brasil, nas suas relações com a cultura e com o tipo de sociedade que aqui se vem desenvolvendo, deve ser considerado principalmente sob o critério da história social e econômica. Da antropologia cultural. Daí ser impossível – insistamos neste ponto – separá-lo da condição degradante de escravos, dentro da qual abafaram-se nele muitas das suas melhores tendências criadoras e normais para acentuarem-se outras, artificiais e até mórbidas. Tornou-se, assim, o africano um decidido agente patogênico no seio da sociedade brasileira. Por “inferioridade de raça”, gritam então os sociólogos arianistas. Mas contra seus gritos se levantam as evidências históricas – as circunstâncias de cultura e principalmente econômicas – dentro das quais se deu o contato do negro com o branco no Brasil. O negro foi patogênico, mas a serviço do branco; como parte irresponsável de um sistema articulado por outros.”

Trecho de Casa-Grande & Senzala, página 404

“A literatura e a arte não pertencem apenas ao domínio de crítica literária ou de arte: incidem também no domínio do sociólogo, do historiador social, do antropólogo e do psicólogo social. Porque através da literatura e da arte é que os homens parecem mais projetar a sua personalidade, e, através da personalidade, o seu éthos nacional. Através das artes eles descrevem as condições mais angustiosas do meio em que vivem e refletem os seus desejos mais revolucionários. E ainda, através das artes, exprimem os aspectos mais particularmente oprimidos, tanto como os mais vigorosamente dinâmicos, da sua personalidade e do seu éthos nacional.”

Trecho de Interpretação do Brasil, página 183

Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
de outro Brasil que vem aí
mais tropical
mais fraternal
mais brasileiro.

Trecho inicial de Outro Brasil que vem aí, do livro Talvez Poesia

“O açúcar recortou no Nordeste e em certo trecho do Sul do Brasil, que é quase um pedaço do Nordeste, uma verdadeira área de cultura. Dessa área ele foi o artigo dominante e às vezes exclusivo da produção econômica e elemento característico da dieta. Dieta que entre a gente mais pobre do Nordeste iria a extremos de deficiência, não fosse o consumo, por muitos, de rapadura ou de mel de engenho mais ordinário – o chamado mel de furo – com farinha ou macaxeira.”

Trecho de Açúcar, página 66

“Aos positivistas é evidente que a substância monárquica no Brasil se afigurava arcaica, mas não a forma autoritária de governo. Ao contrário: eles subiram ao poder procurando, através de Benjamim Constant e de Demétrio Ribeiro, avivar no novo tipo de governo a autoridade do executivo ou o poder efetivo dos governantes, para que a causa do progresso condicionado pela ordem não fosse sacrificada ao perigo do progresso desordenado, nem a da ação refletida à do verbo irresponsável.”

Trecho de Ordem e Progresso, página 215

 

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