Futebol de verdade, não de papel

A Fifa anunciou Cristiano Ronaldo como melhor jogador do mundo em 2017. Lionel Messi ficou em segundo (como se fosse), e Neymar em terceiro lugar. Eles formam o ataque de uma espécie de time dos sonhos, formado pelos jogadores mais bem-votados em cada posição em campo. Assim, na chamada “Seleção do Ano”, o italiano Buffon é o goleiro. A defesa tem os laterais da seleção brasileira Marcelo e Daniel Alves, além dos zagueiros Sergio Ramos e Bonucci. E o meio de campo é formado por Modric, Kroos e Iniesta. O técnico seria o ex-jogador Zidane, que como treinador do Real Madrid ganha tudo também sem a bola nos pés. Sobre esse time improvável conversamos com o escritor João Carlos Marinho, que sabe de futebol tanto quanto de literatura, ou seja, tudo!

Blog da Global – É ficção pensar num time de futebol que jogue efetivamente com uma escalação dessas? Esse time ganharia uma Copa do Mundo?

João Carlos Marinho – Esse papo não me inspira, um time teórico numa Copa do Mundo. Mesmo porque Copa do Mundo faz muito tempo que não é a vitrine do grande futebol, pelo contrário, é a vitrine de craques arrebentados e esgotados ou incapacitados que acabam de disputar os reais torneios, nos quais se vê o melhor futebol, que são os campeonatos nacionais, e a verdadeira Copa do Mundo, que é a Liga dos Campeões. O grande futebol está na Liga dos Campeões, na qual os grandes craques obedecem a uma preparação física de longo prazo e, no fim, os bagaços que sobram deles vão disputar a Copa do Mundo, um torneio meramente festivo e turístico que não deixa de ter a sua emoção, a sua curiosidade, mas futebol não. Coitados, se arrastam em campo. Veja as finais em tempo normal de 2014, 2010: terminaram monotonamente zero a zero. E a final de 2006 terminou um a um e foi decidida nos pênaltis. Os indiscutivelmente melhores times da Copa de 2002, França e Argentina, não passaram da primeira fase. E a superseleção nossa de Kaká, Ronaldinho, Ronaldo fez um papelão na Copa (2006). Não estavam nem aí. Enfim, essa sua seleção numa Copa do Mundo perderia para a Costa Rica, depois de um monótono zero a zero que persistiria na prorrogação e seria decidido no pênalti para a grande euforia e comemoração dos analfabetos em futebol que, com suas famílias, sogra, sogro e netinhos chegariam ao final da Copa absolutamente esgotados de tanto pular e se abraçar e se beijar, tomariam um avião e voltariam para casa.

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João Carlos Marinho ama futebol e torce para o Corinthians. Seus dois primeiros livros têm o futebol nas tramas: O gênio do crime (Global Editora) com a coleção de figurinhas de jogadores, e O caneco de prata (Global Editora) com o campeonato escolar. Quando menino, o escritor viveu intensamente as Copas do Mundo de 1950 e 1954, como ele mesmo conta neste vídeo:

E nunca deixou de acompanhar tanto o Corinthians, bem de perto e coração na mão, quanto os grandes times de cada época e seus craques. Veja outros vídeos:

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