Diário de Bordo: Cecília Meireles em viagem à Portugal

Convidada pelo governo português para uma série de conferências, Cecília Meireles transformou sua viagem para Lisboa em um rico material literário para os leitores do jornal A Nação, em 1934. Os vinte e dois dias que passou a bordo do navio Cuyabá foram registrados em forma de crônicas, publicadas naquele ano com o acompanhamento das fascinantes pinturas e ilustrações de Fernando Correia Dias, marido da poeta. Os textos, reunidos no lançamento Diário de Bordo, revelam a admiração de Cecília pelo mar, tão presente em suas poesias, e fazem imaginar o céu púrpuro, o vento luminoso e as espumas prateadas oriundas do rebolar
das águas.

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Cecília sempre se interessou por Portugal e em suas veias corria sangue açoriano. Para a poeta, o povo dos açores convive com o perigo do mar, retratado em sua obra literária como símbolo de mistério e também de eternidade. Em Diário de Bordo, vê-se uma Cecília que contempla (e descreve) esse personagem como ninguém: de linha em linha, é como se as palavras transportassem o leitor para estibordo, dando-lhe a chance de admirar as águas esverdeadas e a dançante escuma como se lá estivesse, a ponto de sentir “nos lábios o gosto do mar, que se vaporiza”.

As pinceladas certeiras de Fernando facilitam. Vitória, Recife, Arquipélago de Cabo Verde… as nuances das cores, claramente perceptíveis nesta edição de 41×29,5cm, texturizam montanhas  e o mar absoluto que acompanhou o casal durante a travessia pelo Atlântico. O formato escolhido para a edição procurou privilegiar a beleza dessas pinturas. O volume conta ainda com o texto de apresentação do renomado historiador e diplomata Alberto da Costa e Silva e com dois textos de autoria de Jussara Pimenta, professora da Universidade Federal de Rondônia. Em sua tese de doutorado defendida na UERJ, a Profa. Jussara concentrou-se em estudar especificamente a viagem que Cecília Meireles fez à Portugal em 1934.

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