Como conto ao meu filho pequeno que estou namorando?

Conversamos com uma especialista e uma mãe que contam a melhor forma de abordar o assunto com os pequenos

Como contar para o filho que os pais separados agora se relacionam com outras pessoas? Existe uma idade certa para contar à criança? Essas situações são apresentadas de maneira lúdica no livro infantil O namorado da mamãe, lançamento da Gaudí Editorial neste ano.

As dúvidas que surgem nessas situações, recorrentes principalmente entre os adultos, foram respondidas pela Debora Moss, neuropsicóloga e mestre em psicologia do desenvolvimento humano pela USP.

Segundo ela, é muito importante dar um nome para cada situação, como por exemplo explicar para a criança que o novo relacionamento amoroso é o novo namorado ou namorada do pai ou da mãe. Desse modo, aos poucos, a criança passa a entender essa nova situação.

Nesse sentido, o respeito ao tempo da criança é algo extremamente importante, como explica Debora Moss. “O tempo para criança é diferente. Dependendo da idade as crianças acabam se culpando ou querem juntar os pais que acabaram ou não de se separar”, afirma ela. Sentimentos de raiva ou demonstrações negativas ao novo agregado também são comuns.

Como tudo isso funciona na prática?

Tatiana Carvalho, de 35 anos, é comerciante e mãe do Heitor, que atualmente tem 6 anos. Para ela, que se separou do pai do filho quando ainda estava grávida, o processo aconteceu de forma natural. Quando Heitor completou 1 ano ela acabou conhecendo Paulo, atual namorado.

O atual namorado passou a adentrar o cotidiano da mãe e do filho aos poucos. E desde o início ela deixou claro o papel que cada um desempenharia em suas vidas. No caso do filho, ela o tranquilizou de que Paulo nunca tomaria seu lugar ou o lugar do pai, pensamento que pode afetar muitas crianças durante o período da separação.

“Os pais têm que entender que uma criança entende tudo que o adulto vai falar”, conta Tatiana. Hoje, tanto o pai de Heitor quanto Paulo, seu namorado, convivem tranquilamente. Fato que, como explica ela, pode variar de acordo com a idade. Aos poucos, Heitor começou a criar um vínculo com Paulo. “Ele nunca chamou ele [Paulo] de pai, mas o chama de ‘mô’, uma forma carinhosa que ele encontrou”, diz ela.

A situação não precisa ser um problema

Para a especialista, muitos pais acabam tentando antecipar um problema com essa situação de separação e introdução de novos vínculos na vida dos pequenos. É claro que, como explica ela, é importante que os pais prestem atenção em como os filhos encaram a situação, já que pode variar. A escola também pode ser um bom lugar para que os educadores observem o modo de agir de cada criança. “É importante os pais relatarem na escola e contar o que está acontecendo”, diz a especialista.

Como apresentar um novo namorado(a)?

Não existe uma fórmula pronta, isso é certo. Mas a especialista indica que os pais apresentem para as crianças os relacionamentos que estão firmados há mais tempo, já que “eles acabam se apegando às novas pessoas e também à situação”, reflete. Uma boa solução é também ir convidando essa nova pessoa aos poucos na vida dos pequenos, nada de forma muito brusca. Independente da idade o importante é encarar as situações e “resolver na raíz do problema”.


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