Como lidar com a única certeza da vida?

Por / 3 meses atrás / Gaia / 1 Comentário

O poeta Manuel Bandeira passou boa parte de seus 82 anos, principalmente a juventude, achando que morreria logo. Teve tuberculose, que no início do século XX era comumente fatal. Tratou da morte em vários poemas. Talvez o mais significativo seja Consoada, do livro Opus 10 (Global Editora):

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez eu sorria, ou diga:
– Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.

A psicóloga Bel Cesar, autora de diversos livros pela Editora Gaia, trabalha há cerca de 25 anos muito próxima à morte. Ela atende pessoas que, por alguma doença grave, têm uma previsão de morrer em pouco tempo (desconsiderando os fatores que nos levam da vida a qualquer instante, imprevisivelmente). Juntando experiências pessoas, profissionais e seus estudos do budismo tibetano, escreveu o livro Morrer não se improvisa (Editora Gaia), que é um apoio importante sobre esse assunto absolutamente inevitável, mas que não temos culturalmente o costume de lidar. Apresenta pontos de vista que facilmente ficam obscuros pelo desespero e a tristeza. Resumindo, Bel Cesar ajuda a lavrar o campo, limpar a casa, pôr a mesa, e cada coisa em seu lugar, parafraseando o  grande mestre da poesia brasileira.

Neste vídeo, ela explica com mais detalhes:

Comentário

  • Selmo gliksman04. fev, 2017

    Meu pavor nao e com a morte , o deixar de ser mas com a dor física q poderá preceder
    Há uma especie de preparação, terapia – com respiracoes, meditação para isso !? Grato Selmo Gliksman

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