Câncer de mama: a importância da campanha Outubro Rosa

Autoexame e mamografia contribuem para um diagnóstico precoce do câncer de mama

Aos 40 anos, a professora Tati Fadel sentiu uma pontada em seu seio direito. Preocupada, fez autoexame e não encontrou nada. Foi só depois de marcar uma consulta com um mastologista e após a primeira mamografia que teve finalmente a resposta do mistério. No dia 15 de outubro de 2012, foi diagnosticada com um carcinoma invasivo, um dos tipos de câncer de mama.

A história de Tati se repete diariamente e não é à toa que o câncer de mama é considerado um dos mais comuns entre as mulheres de todo mundo – e são múltiplos os fatores que podem levá-las a desenvolver a doença.

A campanha do Outubro Rosa começou com um movimento nos Estados Unidos, durante a década de 1990. A ideia era lembrar, principalmente mulheres, da luta contra o câncer de mama. No Brasil, muitas empresas e entidades aderem à causa usando como símbolo um laço rosa.

 

Como diagnosticar o câncer de mama?

É muito importante estar atento à presença de nódulos endurecidos ou de aspecto irregular na mama. Feridas na pele e a presença de um tipo de “líquido cristalino” ou sangue também são alguns sinais que o corpo pode apresentar, como explica Alexandre Pupo Nogueira, mastologista do Núcleo de Mastologia do Hospital Sírio Libanês.

Nogueira explica que a mamografia é comumente indicada para mulheres entre 50 e 69 anos de idade. Porém, no Brasil, é recomendado que a partir dos 40 anos o rastreamento se torne mais frequente. “A mamografia permite se detectar o câncer em fase em que ele ainda não formou um nódulo ou pelo menos ainda antes de ele ser palpável”, diz ele.

 

O câncer de mama pode ser hereditário?

Nogueira explica que sim, ao redor de 10 a 15% dos casos de câncer de mama acontecem devido à predisposição genética. Mas isso também não é determinante; mulheres que nunca tiveram casos na família também podem ser vítimas da doença.

 

Como é feita a prevenção do câncer de mama?

Existem inúmeros estudos que apontam como a alimentação e a prática de exercício físico ajudam mulheres na prevenção da doença. “A prevenção envolve aspectos de qualidade de vida e alimentação e rastreamento de populações de risco”, explica Nogueira. Além disso, estabelecer uma rotina de autoexame da mama contribuem para o diagnóstico precoce da doença.

 

Ilustrações de Naomi Mariko

Como é o tratamento do câncer de mama?

Segundo o mastologista, o tratamento do câncer de mama é intenso e pode ter muitos efeitos colaterais. O tratamento pode envolver muitas etapas, a depender da gravidade da doença. E, por isso, que descobrir o mais rápido possível contribui para melhores taxas de cura.

O apoio emocional de psicólogos e suporte familiar também são fatores importantes. “A paciente debilitada física e psicologicamente está mais afeita a sofrer os efeitos colaterais dos tratamentos e a fugir inclusive deles”, afirma Nogueira.

Tati Fadel relembra os seis meses de quimioterapia que teve de fazer antes da cirurgia de retirada de ambas as mamas. A mudança na rotina, como a necessidade de ter parado de dar aulas, entristece e ainda impacta seu cotidiano. “Perder o cabelo foi estranho, talvez tenha sido o momento mais difícil, porque me colocou em frente à realidade material da doença, que é invisível”, relembra ela.

 

Qual a importância da campanha Outubro Rosa?

A desmistificação da doença e a oportunidade de levar conhecimento a mais mulheres em todo mundo. Para o mastologista, esses são os principais intuitos do Outubro Rosa. Ele ressalta que há espaço para o tratamento e “após a doença, existe uma vida normal”. Para a professora Fadel, após a descoberta do câncer de mama é importante expressar seus medos e sentimentos. “Não tenha medo de perguntar: o corpo é seu e você precisa saber o que está acontecendo”, reflete.

 

Cuidando de si

Bel Cesar, escritora e psicóloga, conseguiu se curar do diagnóstico de um câncer na tireóide. Ela, que lançou recentemente “Câncer – Quando a vida pede por um novo ajuste“, pela Editora Gaia, fala sobre a importância do tempo nesses momentos: “Quando temos um diagnóstico grave temos que tomar um tempo maior para tomar qualquer decisão”, ressalta. Reforça ainda que o equilíbrio entre corpo, mente e espírito é fundamental.

 

 


Compre aqui:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *