Romances de cordel, de Marco Haurélio

Quando todos se fartaram,
O pescador se lembrou
Da promessa que fizera
E a tristeza o dominou.
Olhando o filho mais velho,
Desta forma ele falou:
– Filho, toda esta riqueza,
Que estás a contemplar,
Foi uma voz compassiva,
Que me ouviu suplicar
E socorreu-me, porém,
Algo em troca devo dar.
A voz surgida no rio
Fez com que eu lhe jurasse
Que, em troca disso tudo,
Você, meu filho, aceitasse
Ir viver em seus domínios,
Caso você me amasse.
Porém o filho cruel
disse: – Eu nada prometi.
Meu pai, não queiras pra mim
O que não queres pra ti.
Quem armou a rede, deite –
Estou muito bem aqui!

Esse é um trecho de História de Belisfronte, o filho do pescador, um dos sete textos do livro Meus romances de cordel, de Marco Haurélio. O conflito está posto e pede para ser lido inteiro. O autor apresente assim a história:

“Belisfronte era meu conto popular favorito. Conheci-o narrado por Luzia Josefina, minha avó. Traz, no enredo, motivos do conto mítico de Apuleio “Eros e Psiquê”, de O asno de ouro. Escrevi uma versão em cordel, em 2005, mas perdi o manuscrito. Reescrevi a mesma história, conservando algumas estrofes já decoradas. Esta foi a versão publicada na Luzeiro, em 2006.”

Marco Haurélio é poeta e é um dos mais respeitados estudiosos sobre o cordel no Brasil. É dele a organização da Antologia do cordel brasileiro (Global Editora).

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