Dia do Folclore

Em data fixada pelo Congresso Nacional em 1965, 22 de agosto passou a ser o Dia do Folclore no Brasil. Mas podemos descobrir no Dicionário do Folclore Brasileiro (Global Editora), do mestre Luís da Câmara Cascudo, o mais importante pesquisador da cultura popular brasileira de todos os tempos, que a origem da data cruzou o Atlântico. Reproduzimos abaixo parte do verbete com essa explicação:

Folclore – É a cultura do popular, tornada normativa pela tradição. Compreende técnicas e processos utilitários que se valorizam numa ampliação emocional, além do ângulo do funcionamento racional. A mentalidade, móbil e plástica, torna tradicional os dados recentes, integrando-os na mecânica assimiladora do fato coletivo, como a imóvel enseada dá a ilusão da permanência estática, embora renovada na dinâmica das águas vivas. O folclore inclui nos objetos e fórmulas populares uma quarta dimensão, sensível ao seu ambiente. Não apenas conserva, depende e mantém os padrões imperturbáveis do entendimento e ação, mas remodela, refaz ou abandona elementos que se esvaziaram de motivos ou finalidades indispensáveis a determinadas sequências ou presença grupal. Tanto o fandango ou cristãos e mouros ficam inalterados, como uma seleção incessante atualiza o elenco do bumba meu boi, perpetuando bailados ou fazendo-os desaparecer, para ressuscitá-los depois, sempre com feitio e cor das predileções típicas ambientais. O conteúdo do folclore ultrapassa o enunciado de 22 de agosto de 1846, quando William John Thoms (1803-1885) criou o vocábulo. Nenhuma disciplina de investigação humana imobilizou-se nos limites impostos, quando do seu nascimento. Qualquer objeto que projete interesse humano, além de sua finalidade imediata, material e lógica, é folclórico. Desde que o laboratório químico, o transatlântico, o avião atômico, o parque industrial determinem projeção cultural no plano popular, acima do seu programa específico de produção e destino normais, estão incluídos no Folclore. “The industrial folk-tales and songs are evidence enough that machinery does not destroy folklore”, diz Botkin. Não apenas contos e cantos, mas a maquinaria faz nascer hábitos, costumes, gestos, superstições, alimentação, indumentária, sátiras, lirismo, assimilados nos grupos sociais participantes. Onde estiver um homem aí viverá uma fonte de criação e divulgação folclórica. O folclore estuda a solução popular na vida em sociedade. Como há dez anos passados, e ao contrário da lição dos mestres, creio na existência dual da cultura entre todos os povos. Em qualquer deles haverá uma cultura sagrada, hierárquica, venerada, reservada para a iniciação, e a cultura popular, aberta à transmissão oral e coletiva, estórias e acessos às técnicas habituais do grupo, destinada à manutenção dos usos e costumes no plano do convívio diário. […]


Conheça outros títulos da Global sobre Folclore:

Folclore do Brasil – Luís da Câmara Cascudo

Aqui, Câmara Cascudo, um dos nossos maiores folcloristas, examina em detalhes as festividades, alimentação, dança, lendas, contos e outros referenciais culturais do povo brasileiro. Com uma linguagem envolvente, nos oferece um inventário precioso destas criações, discorrendo sobre suas origens e suas variações encontradas em todo país.

 

 

Antologia do Folclore Brasileiro – Luís da Câmara Cascudo

Esta antologia, em dois volumes, se parece com os primeiros passos dentro da floresta das lendas, mitos, superstições, cantigas brasileiras. No volume 1 estão reunidos conceitos e tendências ainda presentes no cotidiano do brasileiro, como as apresentações da Festa do Divino. No segundo volume estão reunidas lendas e superstições indígenas, cearenses e sertanejas; cantigas e poesias populares; adivinhas e adivinhações; culinária; bem como apresentações de reisado, bumba meu boi, pastoris e manifestações de dança, como o frevo e o maracatu, que ainda existem em muitas regiões brasileiras.

 

 

Para entender: Folclore – Maria de Cáscia Nascimento Frade

Este livro apresenta um texto objetivo e de fácil assimilação sobre as origens e tentativas de definir o folclore, seus elementos constitutivos, e nos brinda, ainda, com um generoso panorama das danças populares brasileiras.

 

 

Facécias – Luís da Câmara Cascudo

Facécias reúne várias histórias, colhidas de contadores do Nordeste de nosso país. Nelas, passeiam caboclos, padres, estudantes, maridos, mulheres, irmãs, meninos, personagens simples do cotidiano vivendo situações estranhas, engraçadas, que chamam a nossa atenção, que ensinam, que causam estranheza, que alegram, que falam da nossa gente, que falam de gente. Colocar a criança em contato com elas permite que ela descubra novas realidades, novas maneiras de ver a vida, novas leituras do cotidiano.

 

Histórias de vaqueiros e cantadores para jovens – Luís da Câmara Cascudo

Esta coletânea, acessível ao jovem leitor, representa uma viagem pelo Brasil diverso, rico e prazeroso de Câmara Cascudo. Antes de todos os versos há sempre uma explicação que contextualiza o motivo e a história da cantoria. A lenda de Pedro Cem é muito espalhada e conhecida no Brasil. A história, contada como apólogo moral, ouvi muitas vezes, nas noites sertanejas. Meu Pai sabia algumas quadras. A que transcrevo é de junho de 1932, impressa em Recife, Pernambuco. Pedro Cem continua tendo leitores e sua existência servindo de exemplo apavorador.

 

Lendas brasileiras para jovens – Luís da Câmara Cascudo

A leitura de Lendas brasileiras para jovens representa uma viagem de descoberta e de encantamento pelas terras brasileiras. Representa, também, um encontro com a sensibilidade e o poder criativo de nossa gente para ouvir, contar e recontar histórias. Dezesseis lendas compõem esta antologia. Agrupadas por regiões, do norte ao sul do país, essas narrativas resgatam nossa herança cultural, construída pelos índios, negros e europeus. Conhecer as histórias dá uma dimensão de nossa diversidade linguística e, consequentemente, cultural.

 


Contos tradicionais do Brasil para jovens
 – Luís da Câmara Cascudo

A leitura de Contos tradicionais do Brasil para jovens possibilita ao aluno-leitor conhecer um pouco do vasto trabalho de Luís da Câmara Cascudo, um dos mais importantes pesquisadores e estudiosos das raízes étnicas do Brasil. As histórias, anônimas em sua autoria, recolhidas da voz do povo, na sua maioria do sertão da Paraíba e do Rio Grande do Norte, revelam informações históricas e sociais e evidenciam crenças, costumes e valores.

 


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