Cora Coralina: confissão e omelete sobremesa

Cora Coralina fazia doces na cozinha de sua famosa Casa da Ponte, na cidade que hoje é conhecida como Goiás Velho – foi capital do estado, antes de Goiânia. Não raramente, entre mexer uma receita no tacho e acrescentar ingredientes, rabiscava versos que se tornariam seus poemas. A mistura resultou numa obra das mais relevantes da literatura brasileira. Experimente.

No livro Vintém de cobre (Global Editora), os textos são como confissões. Neste, ela trata justamente dessa mistura de poeta e doceira.

Nunca Estive Cansada

Fiz doces durante quatorze anos seguidos.
Ganhei o dinheiro necessário.
Tinha compromissos e não tinha recursos.
Fiz um nome bonito de doceira, minha glória maior.

Fiz amigos e fregueses. Escrevi livros e contei estórias.
Verdades e mentiras. Foi o melhor tempo da minha vida
Foi tão cheio e tão fértil que me fez esquecer a palavra
“estou cansada”.

Cansada talvez a lavadeira do rio Vermelho da minha cidade.
Talvez a mulher da roça de São Paulo, nem mesmo ela.
Nunca ouvi da lavadeira a expressão “estou cansada”.
Sim, seu medo: faltar a freguesa e trouxa de roupa para lavar e passar.
Suas constantes, quando na folga: “Graças a Deus!”
Seu dia começava com a aurora e continuava com a noite.

Tive trabalhadores e roçados. Plantei e colhi por suas mãos calosas.
Jamais ouvi de algum: “Estou cansado”.
Fagueiros pela tarde, corriam para o ribeirão.
Trocavam suas camisas e sentavam para jantar.
Sempre identificados com a lavoura, interessados,
preocupados com o tempo bom ou mau.
Acompanhavam o progresso das lavouras e a festa das colheitas.
Viam com prazer o paiol cheio e a tulha derramando,
embora não tivessem parte naqueles lucros.
Sentiam o bem-estar obscuro e desprendido
de todo “peão” que, trabalhando a dia, ajudados pelo tempo,
veem o lucro da colheita e a vantagem do patrão.
Ponha sempre nas mãos do trabalhador, mesmo fraco, uma ferramenta forte.
Observe o resultado. A boa ferramenta estimula o trabalhador.
O trabalhador sente-se forte e seu trabalho se faz leve e ele se esperta
e até mesmo canta, abrindo o eito, estimula os companheiros,
joga pilhéria, graceja e alegra seus parceiros.

Estas coisas lá longe,
nos reinos da cidade de Andradina.

 Depois do poema, que tal uma sobremesa?

Omelete sobremesa 

Deita-se pão cortado amanhecido em leite fervente e deixa-se embeber. Junta-se uma xícara de açúcar, uma pitada de sal e mistura-se muito bem 3 ovos batidos. Deita-se numa frigideira com manteiga, frigindo e virando, como omelete comum. Passa-se, depois, para um prato polvilhado com açúcar e canela, queimando o açúcar com pá em brasa.

 Ingredientes:

2 pães tipo francês amanhecidos e picados
1 xícara (chá) de leite
1/2 xícara (chá) de açúcar
3 ovos
1 pitada de sal
1 colher (sopa) de canela em pó com 1/2 xícara (chá) de açúcar

Preparo:

Coloque os pães picados de molho no leite fervendo e reserve. Bata levemente os ovos com o açúcar. Misture com os pães reservados. Coloque porções em uma frigideira pequena, untada com manteiga, em fogo médio. Asim que ficar dourada, vire com o auxílio de uma espátula. Deixe dourar dos dois lados. Polvilhe canela e açúcar.

 Dicas:

Você pode queimar o açúcar com um garfo aquecido no fogo.
Também pode misturar 1/2 xícara de uvas-passas sem sementes na massa.
Faz 4 omeletes individuais.

No livro Doceira e poeta (Global Editora) há muito mais receitas como essa. Se ficou curioso em conhecer a cozinha e o restante da casa de Cora, em Goiás Velho, assista:

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