O coração exposto de Hamlet

Os clássicos da Literatura mundial nos são apresentados comumente como leitura obrigatória. E aí, normalmente, deles nos afastamos. Obrigatório? Por quê? Porque é chato e então devo ser obrigado a ler? Não. Definitivamente, não é isso. Neste vídeo que sugerimos aqui, a partir do canal de youtube Café Filosófico CPFL, o historiador Leandro Karnal ilumina questões da peça Hamlet, de William Shakespeare; questões que aproximam ao máximo as reflexões do príncipe da Dinamarca no ano 1600 à vida cotidiana de 2017.

Os clássicos da Literatura mundial são chamados assim porque eles têm a dizer sobre a condição humana muito mais do que às pessoas do tempo em que foram escritos. Revelam-nos hoje, em nossa essência, em forma e conteúdo. E o caso das peças de William Shakespeare é emblemático.

Karnal, no vídeo, tem foco na leitura de Hamlet. Mas fala também de Ricardo III, de Rei Lear, de Romeu e Julieta. “O que tem Hamlet a me dizer hoje, neste mundo de Facebook, neste mundo de internet? O que Hamlet diria ao publicar uma foto no Instagram? Qual seria a relação do príncipe com este mundo?”, provoca o professor, no início da brilhante apresentação.

A Nova Aguilar, do Grupo Editorial Global, lançou em 2016 o Teatro Completo de William Shakespeare, com tradução e apresentação da brasileira Bárbara Heliodora, que dedicou a vida ao estudo e às traduções da obra do dramaturgo inglês. Sempre que possível, o Blog da Global vai trazer novos olhares ou sugerir conteúdos que ajudem a iluminar a obra e convidar à leitura.

Karnal joga luz em diversas questões diferentes de Hamlet, no mínimo em dez tópicos que escolheu. Lembra que o crítico Harold Bloom considera o personagem o primeiro homem moderno do mundo. Que na famosa frase “ser ou não ser, eis a questão”, ele finca que é senhor do próprio destino. Apresenta o personagem Polônio como uma espécie de pai do gênero autoajuda, quando dá conselhos firmes e simplistas ao longo da peça. “Hamlet é o antiFacebook”, diz Karnal, ao definir o príncipe da Dinamarca como alguém despreocupado em se esforçar para ser aceito por todo mundo. Relaciona o momento de loucura de Hamlet como o único jeito que encontrou de ser normal, poder dizer o que as coisas realmente são, em vez das que escuta ao seu redor, falsas e vazias.

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